Agents of Mayhem

Agents of Mayhem

por Felipe Demartini

Cheio de estilo (e repetição)

Agents of Mayhem é como aqueles filmes que você se interessa só de olhar a capa. Basta assistir a um trailer do game ou, simplesmente, ver uma das imagens que divulgam as incríveis animações de cada personagem para entender que há algo mais aqui, mesmo que não saibamos exatamente o que.

A coisa apenas melhora quando ficamos sabendo que o game é da Volition. Agents of Mayhem não apenas é da mesma desenvolvedora de Saints Row, mas também serve como um spin-off um tanto distante dos games de mundo aberto. Em teoria, o novo título acontece após os eventos de Gat Out of Hell. Quem é fã irá perceber as conexões – que vão além da presença óbvia do protagonista Johnny Gat como um brinde de pré-venda – mas, na prática, o que temos aqui é um mundo novo para ser explorado.


O que não significa que estamos começando completamente do zero, muito pelo contrário. Ao construir Agens of Mayhem a partir de Saints Row, a Volition também desenvolve seu título em cima de bases incrivelmente sólidas, e mais do que isso, amadas por muita gente. Isso permitiu que ela focasse no que realmente faz este game especial – seu humor e autenticidade.

Agents of Mayhem é como aqueles filmes que você se interessa só de ver a capa. É fácil perceber que há algo bem interessante aqui.

No controle da M.A.Y.H.E.M., uma agência formada somente por agentes de alta habilidade e diferentes passados e motivações, enfrentamos os vilões da L.E.G.I.O.N. Nessa guerra de bandidos contra mocinhos, todos com suas próprias características, a sensação é de se estar brincando de boneco.

Quem nunca pegou os Comandos em Ação e criou histórias na cabeça, unindo o estilo bem peculiar de cada uma das figuras com sua função no grupo? É assim que funciona Agents of Mayhem, com seus personagens cheios de personalidade em missões também com essa característica, com diversas tiradas aqui e ali.

Agents of Mayhem

Hollywood, por exemplo, é um ator de de ação transformado em agente, que acha que a vida é um filme e ainda precisa lidar com fãs malucas. A brasileira Fortune, que infelizmente fala espanhol, é uma ágil ladra carioca que tem um drone para ajudar nos ataques. Já Rama é uma indiana que luta para encontrar a cura para uma praga que assola seu povo, mas sem se esquecer das piadas com bunda pelo caminho.

Agents of Mayhem não conta com modos multiplayer e, muito menos, partidas cooperativas, dois elementos que trariam mais variação ao título.

E esses são apenas alguns exemplos de personagens jogáveis, enfrentando vilões megalomaníacos, gênios da engenharia ou mentes brilhantes, em uma grande batalha. A ameaça é gigantesca e parece muito maior do que os próprios heróis, que não titubeiam e ainda têm tempo para colocar algumas piadas e trocadilhos aqui e ali.

Todos eles aparecem em animações incríveis, entre cutscenes de meio de jogo e também vídeos introdutórios que mostram mais sobre seus passados. As personalidades também florescem em suas movimentações durante o game, criando um conjunto bem característico e sem protagonistas opacos ou rasos.

Big bada boom

Agents of Mayhem

Toda a ação acontece em um cenário altamente inflamável e explosivo, do tipo que orgulharia Michael Bay. Os Agentes da M.A.Y.H.E.M. não têm a menor consideração pela propriedade alheia e os vilões, muito menos. Todo carro pode se transformar um amplificador de detonação e qualquer pessoa pode servir como escudo contra os disparos.

Mais uma vez, estamos falando de algo típico dos filmes hiperbólicos de espionagem e ação, nos quais, muitas vezes, os danos causados pelos mocinhos ao impedir os bandidos são muito maiores do que aqueles que seriam gerados pelos ataques inimigos, para início de conversa. E da mesma forma que no cinema, os populares não fazem muita questão de sair do caminho, sendo o dano colateral de todo esse combate.

Mas para tudo que é bom, há também seu lado negativo, e em Agents of Mayhem, isso se reflete em momentos de confusão. Muitas vezes, há tantos inimigos, explosões e coisas acontecendo ao mesmo tempo que fica difícil entender exatamente o que está rolando. Felizmente, tais momentos não geram quedas na taxa de frames, nem problemas de performance.

Agents of Mayhem

Um outro problema decorre desta questão, que é o fato de os personagens nem sempre reagirem aos danos recebidos. Assim como os inimigos, os agentes também são grandes esponjas de balas, com o reflexo dos disparos inimigos refletidos na barra de energia, e muitas vezes, somente nela. No game, jogamos sempre em trios de protagonistas, podendo alternar entre eles para evitar a morte de um. Nem sempre, entretanto, dá tempo e, quando vemos, muitas vezes, o agente já levou o tiro fatal.

Também não dá para ignorar a falta de balanceamento entre os personagens. Johnny Gat, nos níveis inferiores, por exemplo, é muito mais potente e destruidor do que Yeti em sua forma mais evoluída, apesar da clara diferença de tamanho e poderes entre eles. É claro, o personagem de Saints Row é um bônus de pré-venda, mas acaba ofuscando o brilho de outros protagonistas, que podem acabar deixados de lado por serem “fracos”, quando, na verdade, estamos apenas diante de problemas de equilíbrio.

Quem tem que reclamar disso, entretanto, são os inimigos, já que Agents of Mayhem não conta com modos multiplayer competitivos e, muito menos, partidas cooperativas. Essa é, inclusive, uma decepção bastante grande, já que, com um rol tão gigantesco e variado de heróis – incluindo variações do tipo tanque, assalto, ladino e até suporte – seria bem interessante se os jogadores pudessem coloca-los para trabalharem juntos.

Quem nunca pegou bonecos e criou histórias na cabeça, unindo o estilo bem peculiar de cada uma das figuras com sua função no grupo? É assim que funciona Agents of Mayhem.

Encarar qualquer um dos heróis, ainda, é tarefa fácil devido aos controles simples e facilmente compreensíveis. Todos possuem um ataque padrão, um especial e um “Ultra”, habilitado após um bom nível de matança. Quem resolver se especializar em alguns deles encontrará ainda mais valor aqui, aprendendo a usar os ataques da maneira correta. Mais um motivo pelo qual dá vontade de ver um modo cooperativo, com tantas habilidades agindo ao mesmo tempo e ligando combos entre si.

O modo online, ainda, serviria para deixar o game ainda mais variado e divertido, principalmente quando se leva em conta que a esmagadora maioria das missões de Agents of Mayhem é exatamente igual. Por mais que sempre se tenha motivações ou aberturas diferentes, o objetivo costuma ser o mesmo – matar todos os inimigos e, algumas vezes, hackear um ou mais terminais, um processo que envolve apenas apertar um botão na hora certa. E tudo acontece em cenários sempre muito parecidos entre si, mostrando unidade visual nos covis da Legion, mas ao mesmo tempo, também cansando os olhos.

Agents of Mayhem

O método é sempre o mesmo, independente do personagem escolhido. O que muda, claro, além da abordagem aos combates específica de cada agente, são as piadas proferidas por eles, que estão sempre interagindo entre si e também com a base de comando. Um sopro de ar fresco em uma dinâmica que, com o tempo, vai ficando repetitiva.

A M.A.Y.H.E.M. não é uma agência iniciante neste mundo, mas o novo game da Volition mostra que ainda há um grande caminho a seguir. Por mais que seja um ótimo jogo, ainda há muito a ser feito para que ele se torne excelente. Felizmente, as portas estão claramente abertas para isso, basta que a desenvolvedora saiba por onde seguir.

O jogo foi analisado no PlayStation 4, em cópia cedida pela Deep Silver.

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