Chegou aquela época do ano em que nós, como fãs de uma determinada série, juntamos mais dúvidas do que respostas acumuladas. Não é nada que jamais será revelado, na verdade tudo já está encaminhado. Contudo, quando se trata de Resident Evil, a Capcom é mestra em deixar pontas soltas de propósito, que certamente farão os fãs especular por meses a fio. E adivinhem só? Esse bichinho da especulação também me mordeu, então resolvi juntar algumas das melhores teorias criadas até então, para apresenta-las aqui e discuti-las a fundo com vocês.

Antes de começarmos, apenas algumas observações: algumas das teorias abaixo eu complementei com meu ponto de vista a partir do que li por aí na internet, e outras eu mesma formei com essa minha cabecinha cheia de engrenagens e que nunca descansa. Além disso, dividi tudo em dois tópicos: por que, e por que não. O primeiro serve para apresentar o motivo pelo qual a teoria se valida, e o segundo, para argumentar a razão que invalida a mesma teoria.

Novamente deixo aquele aviso camarada: o artigo está REPLETO de spoilers, não apenas de Resident Evil 7, mas também de outros games da franquia. Cuidado!!! Vamos lá?

Mia se casou com Ethan com segundas intenções

Por que?

Vamos por partes, e de preferência do início: ainda antes de RE7 de fato ser lançado, os fãs já haviam encontrado um arquivo em RE5 que listava alguns dos pesquisadores com acesso a informações de alto nível de sigilo dentro da Umbrella. Adivinhe só? Um tal de “Ethan W.” está listado neste relatório… O que significa que o protagonista de RE7 pode ser este mesmo sujeito, i.e. um cientista da nossa corporação farmacêutica de fachada favorita!

O problema é que todas as pessoas, cujos os nomes constam neste artigo foram eliminadas, a mando de um dos próprios fundadores da companhia, Ozwell E. Spencer – foi uma espécie de queima de arquivo.

Bem, vamos levar em conta que “Ethan W.” sobreviveu de alguma forma, ou que até mesmo tenha forjado a sua morte. Anos mais tarde, ele viria a conhecer a encantadora Mia (ah, ela é adorável, vai gente! ♥), e os dois se casam após algum tempo. Ela então adota o sobrenome dele, e eles passam a ser Sr. e Sra. Winters, até que a morte (ou uma arma biológica extremamente perigosa na forma de uma garotinha) os separe!

Como vimos ao longo de RE7, contudo, Mia é uma agente de operações especiais. Apesar do nome da empresa para a qual ela trabalha ainda ser uma incógnita, podemos cogitar que até mesmo a alcunha “Mia” seja meramente uma identidade secreta. Sabemos ainda que os pombinhos já tinham alguns problemas no relacionamento, segundo algumas pistas deixadas pelo próprio game (falaremos disso mais a frente).

Mas uma coisa é certa: Mia ama Ethan e vice-versa. Sendo um casamento arranjado ou não, os dois se amam, e isso é comprovado durante RE7 em alguns momentos-chaves.

Por que não?

A teoria vem a baixo por três motivos bem simples. O primeiro e também o mais bobo é o fato de Ethan ter mantido o mesmo nome após a suposta tentativa de assassinato.

Tudo bem que estamos falando de alguém que pode ter se envolvido com a Umbrella no passado, o que implica em ele não ter podido procurar o auxílio da justiça após o atentado, sem ter sofrido as consequências disso (considere que, por ter trabalhado para uma companhia criminosa, Ethan teria que ter pagado uma parte desse pato também). Mas ainda assim… Quem em sã consciência manteria a identidade igual ou parecida após um evento desses?

O segundo motivo é justamente o atentado em si. Afinal Spencer não organizaria uma queima de arquivo dessa magnitude sem cogitar ser enganado por um de seus subordinados antes. Paranoico, presunçoso e ganancioso como era, o velho certamente teria  contado com essa possibilidade.

Por fim, o terceiro e também o mais óbvio é a possibilidade de o ter “Ethan W.” listado no relatório e o Ethan Winters que controlamos em RE7 não serem a mesma pessoa. Coincidências acontecem afinal.

Mia e Ethan já tinham sérios problemas no relacionamento

Por que?

Em diversos momentos ao longo do game, algumas falas de Ethan e principalmente de Mia deixam a entender que havia um certo desentendimento na relação. Até aí tudo bem, normal, afinal é comum que casais briguem entre si, certo? Porém, a fanbase de RE encontrou alguns destes buracos negros deixados no game (talvez até de propósito), e vem tentando preenche-los com especulações e teorias deveras interessantes.

A mais comum é de que Ethan era infiel… E há dois momentos que deixam isso implícito: quando você está enfrentando Mia no começo do game e quando Mia está prestes a salvar Ethan no navio naufragado.

No primeiro caso, se o jogador conseguir sobreviver e “dibrar” Mia por um certo tempo, ela vai começar a murmurar frases que pouco fazem sentido naquele ponto da trama. Uma das falas dela que mais deixam qualquer um no mínimo intrigado é: “Why aren’t you telling me, Ethan?!” Contar o que, monamu? Que ele te traiu com várias manas por aí? Afinal, o trabalho de Mia provavelmente demandava que ela ficasse mais tempo fora de casa do que dentro… E na ausência e carência de sua amada esposa, Ethan pode ter mesmo se jogado nos braços de outras (ou outros, por que não?) para sanar suas necessidades.

Daí você me pergunta: “Ué, então por que ele se mandou pra Louisiana no primeiro instante logo que soube algo do paradeiro da Mia?”. E eu respondo: remorso. Os sentimentos por ela podem de fato não serem os mesmos, mas isso não significa que Ethan não se arrependa ou não se sinta culpado (pelo que pode ter feito).

Outro ponto que corrobora com o remorso de Ethan é a seguinte fala de Mia, ainda enquanto os dois estão lutando no sótão dá casa de hóspedes: “You were always watching me! Why?!”

E se Ethan a vigiava o tempo todo quando Mia estava por perto? E se ele desconfiava que na verdade era ela quem o traía? Levando em conta que a nossa agente secreta mentia para o marido a respeito de seu trabalho, e viajava constantemente por longos períodos de tempo, isso pode ter feito com que Ethan se tornasse no mínimo paranoico, e constantemente discutisse com Mia por conta da desconfiança. A culpa que ele sente viria também disso… Afinal, vai lá saber como foi a última conversa deles antes de Mia, subitamente, desaparecer pra valer da vida de Ethan…?

Já no segundo caso, momentos antes de Ethan ser libertado do mofo que o mantém preso dentro do navio, ele ouve uma breve “conversa” entre Mia e Eveline. Neste momento, a garotinha comenta com sua “mamãe” que o protagonista jamais a amou de verdade.

Por que não?

Toda esta teoria escorre água abaixo por conta de dois simples motivos. O primeiro tem a ver com o segundo item cotado logo acima: a conversa entre Eveline e Mia no navio naufragado pode ter sido apenas um delírio, ou até mesmo uma alucinação de Ethan – algo colocado em sua cabeça apenas, que mais tarde o colocaria em xeque-mate contra sua esposa – ou pelo menos aumentaria seu remorso.

Por fim, a segunda razão é um pouco óbvia; tudo isso não passa de pura especulação, e os fãs estão enxergando complicações onde não tem! Afinal, Ethan e Mia podem ter tido sim seus problemas, como qualquer casal normalmente tem, mas nenhum deles precisa necessariamente ter tomado atitudes tão extremas como trair um ao outro. Novamente reitero: os dois se amavam, apesar dos pesares.

(PS.: O Ethan se arruma todo pra ir buscar a Mia gente, que fofura!)

“Redfield” na verdade é HUNK… Ou Tofu!?

Por que?

Nos momentos finais do game, uma equipe de misteriosos soldados desce de um transporte aéreo, e pelas vestimentas e equipamentos, tudo leva a crer que eles chegaram para neutralizar as ameaças biológicas e resgatar os sobreviventes. Um membro desse grupo então se aproxima de Ethan, ainda caído, e se apresenta apenas como “Redfield”. Apesar da voz ser parecida, este sujeito possui uma aparência bem diferente daquele outro personagem que conhecemos, que possui o mesmo sobrenome.

Então pode ser a mesma pessoa, certo? Eles devem ter apenas mudado o design dele e… ESPERA!! Como assim ele chegou em um helicóptero com um logotipo modificado da “Umbrella Corporation”…?! E foram eles que jogaram aquela arma customizada “Albert-01” para que o protagonista pudesse derrotar Eveline?! Nada mais faz sentido e esse cara não poder ser quem eu estou pensando que é… Ele jamais se juntaria aos vilões dessa forma! Não é mesmo?

Daí sobem os créditos e as coisas só melhoram, pois entre os personagens, “Chris Redfield” está sim listado, o que “confirma” que aquele sujeito que ajudou Ethan e resgatou a Mia é sim quem estávamos imaginando o tempo todo! M-I-N-D B-L-O-W-I-N-G!!!

Mas e se… Não for o Chris Redfield de verdade? E se for alguém que está se passando por ele? Afinal o nosso herói é muito respeitado e bastante conhecido neste meio bioterrorista, tanto pelo lado dos mocinhos quanto dos bandidos. Nada mais conveniente do que usurpar sua identidade dele para ganhar a confiança de Ethan e Mia.

“Ué Jejé, mas porque então colocaram ele nos créditos do jogo como Chris Redfield, se ele era outra pessoa esse tempo todo?!”. Simplesmente para não entregar o ouro assim tão fácil, é o que eu lhe respondo. A Capcom pode muito bem ter feito isso para nos enganar, e nos fazer especular como nós estamos fazendo por aqui (aliás, especulação deveria ser um subgênero da série Resident Evil, viu!).

Falando por mim, no começo eu caí nessa ladainha e até achava interessante trazer estes tons cinzas para o personagem, mas logo percebi que se aquele “Redfield” de fato for o verdadeiro Chris, deturparia muito a imagem de paladino que foi construída para ele ao longo de 20 anos de franquia! Explicando melhor: se tivéssemos que encaixar cada protagonista de RE em um alinhamento/tendência de RPG, Chris certamente seria um Lawful Good (Leal/Bom), e alterar ele desse caminho de uma hora para outra seria uma mudança muito, muito drástica.

Considerando então que aquele sujeitão não é o verdadeiro Chris de forma alguma, então, quem pode ser ele? As teorias mais comuns sobre esta figura que se apresenta como “Redfield”, apontam que sua verdadeira identidade é o mercenário HUNK, também conhecido como o “4º sobrevivente” em RE2, ou o “Sr. Morte / Ceifador” como é chamado nos epílogos de RE3. A última vez que soubemos de algo sobre este personagem foi em RE Code: Veronica, em um relatório de missão. Desde a queda da Umbrella no início de 2003, nada mais se ouviu a respeito dele.

Resident Evil HUNK

Chris e HUNK alguns possuem paralelos, inclusive, e seria uma sacada legal da Capcom se aproveitar disso. O primeiro era o atirador com melhor pontaria da equipe Alpha dos S.T.A.R.S., além de copiloto e point man do time, enquanto que o segundo era o líder da equipe Alpha da U.S.S. Então, após o fim da Umbrella, assim como Chris e seus companheiros ergueram a B.S.A.A. de um lado da história, HUNK e alguns mercenários podem muito bem terem trabalhado juntos no oposto, criando uma rede unificada de disseminação e execução de bioterrorismo no mercado oculto ao longo de todos estes anos, enquanto que o nosso herói formou uma poderosa aliança global para combater e prevenir esse tipo de atentado.

Pensem bem: agora que não temos mais Wesker como vilão principal da série, e após tantas tentativas fracassadas de emplacar um antagonista à altura, somando o fato de que RE7 é um grande revival de tudo que existia nos jogos clássicos; nada mais justo do que traçar um grande retorno para HUNK nas entrelinhas para, mais adiante, encaixa-lo como o verdadeiro inimigo.

Eu pessoalmente estou saturada de teorias de fãs que sempre especulam que qualquer novo personagem é na verdade o HUNK. Contudo, se a Capcom ainda pretende traze-lo de volta em algum ponto da história da franquia, o melhor momento para isso pode ser agora.

Por que não?

Ué, ele pode simplesmente não ser o HUNK, e ponto. Depois de tantos anos sem saber desta figura, a Capcom pode decidir que ainda não é a hora de traze-lo de volta. E pode ser que ele permaneça no limbo de personagens da série por toda a eternidade também! #DeusMeLivreHUNK

Além do mais, vocês não acharam esse “Redfield” mercenário um pouco jovem demais para ser o HUNK não? Se levarmos em conta a aparência dele, como é vista muito brevemente em RE Outbreak File #2, talvez não seja ele em RE7 mesmo. Ou na verdade, pode ser o Tofu, o queijo ambulante que controlamos no modo extra de RE2. Já pensou que louco seria?!?!

A B.S.A.A. chegou atrasada para a festa

Por que?

Outra das teorias mais recorrentes na internet e que complementa a de cima, é referente à conversa que escutamos no rádio, dentro daquela cabana no pântano. Após sair do navio naufragado, Ethan prossegue até este local e ouve uma conversa sendo transmitida entre um membro da equipe Bravo e um membro da equipe Alpha. A voz da pessoa que se identifica como sendo da equipe Alpha é extremamente semelhante a do nosso velho e querido Chris Redfield.

Se você realmente acreditar que a conversa que rolou nesse rádio era entre o capitão da equipe Alpha da filial Norte Americana da B.S.A.A. (i.e. o Chris) e um membro da equipe Bravo que estava investigando a propriedade dos Bakers, então a teoria de que o “Redfield” que salva Ethan e Mia no final do game é na verdade um impostor, se prova muito mais próxima da verdade.

Além do mais, um pouco antes de chegar a cabana onde escutamos essa transmissão, Ethan avista um helicóptero, que provavelmente é o mesmo de onde o membro da equipe Bravo estava fazendo reconhecimento de campo.

Ao fim da conversa, o suposto (e talvez verdadeiro) Chris diz que vai até a propriedade checar o que está acontecendo, começando pelas minas de sal, onde Lucas Baker foi avistado da última vez. Isso também corrobora para o fato de que a equipe de soldados que resgata os protagonistas no fim do game não é a mesma que foi investigar o laboratório subterrâneo localizado nas minas, afinal, pelas contas, eles teriam chegado lá depois que Ethan atravessou tudo e retornou para a casa de hospedes.

Por que não?

O título da DLC que supostamente desvendará este mistério é “Not a Hero”, e é um nome bastante ambíguo, já que pode estar se referindo tanto a um Chris que viveu o bastante para se tornar um vilão, quanto ao HUNK que está se fazendo passar pelo nosso herói… Ou até mesmo pode estar se referindo ao próprio Ethan que, vai lá saber se não tem envolvimento com alguma companhia maligna também…?

Mas, no fim das contas, pode ser que a Capcom não faça uso dessas lacunas que estamos enxergando aqui. Tudo pode ser realmente o que parece e nada mais do que isso. Confesso que seria um pouco decepcionante perceber que eles não estavam brincando conosco todo esse tempo e não pretendiam fazer esse plot twist. Deixar tudo escancarado em nossa cara desde o início, mas com um mistério aqui e acolá apenas para nos fazer pensar que era outra coisa e na verdade não; também é uma possibilidade…

A Corporação Umbrella renasce das cinzas

Por que?

Assim como uma vez aconteceu em RE4, onde subitamente descobrimos terem se passado 6 anos desde o incidente em Raccoon City e a Umbrella subitamente foi desmantelada; em RE7 novamente temos uma grande passagem de tempo (5 anos desde RE6, precisamente). Muita coisa aconteceu nesse meio tempo e nós ainda não fazemos ideia do que! Muitas dúvidas pairam no ar, e apenas os próximos jogos, filmes CGI e peças de teatro poderão nos responder.

Mas aparentemente, a Umbrella retornou de vez, ou ao menos é o que aquele o. Embora muitos acreditem que aqueles sujeitos mascarados que descem do helicóptero no final de RE7 sejam apenas um grupo de mercenários atuando independentemente, ou ainda que foram enviados por alguma companhia interessada em adquirir o agente causador da infecção (seguindo o que nos foi apresentado no game Umbrella Corps); eu sigo acreditando que aquele grupo na verdade é a unidade de operações especiais de uma nova e reerguida corporação, também chamada de Umbrella.

Tudo bem, concordo que o logotipo está diferente daquele antigo guarda-chuva vermelho e branco que estamos habituados (e é um pouco diferente da marca no título do jogo “Umbrella Corps”, aliás). Porém, é justamente nesse brasão que eu vou trabalhar essa teoria…

Se você reparar bem, o ícone do guarda-chuva (agora em tons de azul ou roxo e branco) possui um desenho semelhante ao bastão de Asclépio, o símbolo da medicina. Além disso, o brasão possui um contorno branco, que o destaca e ao mesmo tempo o encaixa dentro de um escudo.

Isso me leva a crer que existem duas (ou até mais) unidades de operação trabalhando em conjunto: a de pesquisas e a de coleta em campo. Até porque, existem duas grafias no logotipo: “Umbrella Corporation” em letras garrafais ao lado, e “Umbrella Co.” em uma faixa, em tipografia cursiva logo acima do escudo. Será que é pleonasmo mesmo e escreveram o nome duas vezes pra ninguém ter dúvidas do que é, ou será que é proposital mesmo e cada um tem um significado diferente?

Agora peguemos Umbrella Corps de exemplo – o esquadrão, não o jogo ou o logotipo. Esse Corps significa “corpo”, e não uma abreviação de “corporação” como parece. O que quero dizer aqui é esse termo é usado para indicar um núcleo, geralmente associado a grupos ou subdivisões paramilitares designadas a certos tipos de serviço, tal como Corpo de Bombeiros, ou Corpo de Saúde da Marinha.

Temos ainda o Co. na equação, que, segundo minhas pesquisas, pode ser uma abreviação para incontáveis segmentos, sendo o mais comum deles “company”. “Mas espera… Company e Corporation…? Ué!”, você se indaga, e com completa razão. Então, acreditando que a Capcom não ia usar duas palavras que são sinônimos em um mesmo logotipo, escolhi acreditar que esse acrônimo na verdade significa “Command Operations”, i.e. operações de comando, o que corrobora com a teoria de que há um esquadrão de coleta atuando junto com a de pesquisas.

Por que não?

Bem, pode não ser a Umbrella, no fim das contas, e sim alguma outra empresa que está apenas usando o nome da antiga corporação farmacêutica para ocultar suas verdadeiras intenções e ações. Lembrem-se que quando tínhamos a Umbrella Corporation como um inimigo central na série, a companhia possuía ativos extremamente cobiçados em sua área de atuação, e por conta disso, acumulava rivais ao redor de todo o mundo no mercado.

Outro ponto que pode derrubar esta teoria é o fato de termos o Umbrella Corps (jogo) aí que, ao que tudo indica, é sim canônico. E no jogo, como já comentei aqui antes, os soldados são terceirizados, enviados por empresas até locais de quarentena para recolher amostras do agente causador da infecção viral que ocorrera. Então os mercenários que vimos no final de RE7, podem simplesmente terem sido enviados por uma empresa rival da fabricante de Eveline e cia.

Zoe é quem está trabalhando para a fabricante de Evie, e não Lucas

Por que?

Dentre todos os Bakers, a Zoe é quem mais parece esperta e sensata, mesmo antes de Eveline roubar seu espaço e sua família. Em um dos mais recentes conteúdos adicionais por download, a fita “Filhas”, é possível ter um vislumbre de como era o cotidiano destas pessoas, e especialmente de como eles se relacionavam uns com os outros, além de sabermos como a E-001 se apropriou de tudo sem demonstrar remorso algum.

Tanto na DLC quanto no game, dá pra perceber que Zoe também é a mais sã, afinal ela logo percebeu que havia algo errado com a menina resgatada no bayou e, ainda que relutante, se afastou de sua família para não sucumbir aos mórbidos caprichos da pequena Evie. Esse isolamento de Zoe fez, inclusive, com que a E-001 criasse um certo desprezo pela “irmã” – o que pode ser notado pelas fotografias espalhadas pela casa, onde o rosto de Zoe está sempre rabiscado, e menções em documentos que mencionam o repudio de uma em relação a outra.

Então, mais próximo do fim da aventura de Ethan, descobrimos através de um histórico de e-mails que Lucas estava livre da influência da E-001 há muito tempo, graças a um soro concedido pela misteriosa companhia que criou a menina (ele foi abordado em janeiro de 2015, cerca de 3 meses depois de Mia e Eveline terem sido resgatadas e abrigadas na residência dos Bakers, e todo o pesadelo ter início). Bem, tudo leva a crer que era ele pela forma que ele se comunica nos e-mails, certo…?

Mas e se tiver sido a Zoe quem enviou aqueles e-mails? Ela pode muito bem ter fingido se passar por Lucas, primeiramente criando aquele histórico de conversas para, quem quer que o lesse ou tentasse hackear o computador, achasse que era seu irmão o agente duplo, e não ela. Desta forma, ela encobriria qualquer rastro que pudesse fazer alguém suspeitar dela. Afinal, na fita “Filhas”, ela sabe a senha do computador de Lucas e o acessa facilmente – e fica implícito que essa invasão já aconteceu outras vezes.

Outro indício de que Zoe sabe mais do que aparenta, é o fato de ela saber como fazer o soro, e os itens necessários para a produção de um. Além do mais, ela presenteia Ethan com um códex (o smart watch em seu pulso grampeado) no começo do jogo, mas de onde terá vindo este dispositivo? Será que ela o recuperou de Mia ou foi a fabricante de Evie que enviou um para ela? Muitas dúvidas ainda pairam no ar…

Por que não?

Bem, comecemos com sua motivação, que é justamente ser curada da infecção e ser capaz de sair da propriedade livremente. Se ela já tiver sido ajudada pela companhia misteriosa antes, não faz muito sentido ela querer tanto guiar os estranhos que se aventuram pelo rancho Baker, com o intuito de conseguir criar um soro para ela.

Podemos, porém, jogar a carta de que Zoe estivava apenas conduzindo os visitantes capturados para que mais tarde eles fosse capturados e estudados pela fabricante, em prol de se tornarem objetos de pesquisa e aprimoramento do experimento, mas creio que isso seria forçado demais. Até porque, Zoe é um dos personagens mais humanizados, e apesar de ser mais esperta e sensata do que aparenta, e de ter sofrido além da conta com a destruição de sua amada família, ela ainda parece ser uma pessoa bastante verdadeira e generosa – bondosa, até.

Outro argumento que contradiz a teoria, se refere ao momento em que Ethan supostamente sonha com Jack, momentos antes dele ser resgatado no navio. Neste trecho de cortar o coração de qualquer um no game, vemos o patriarca dos Bakers ao lado de Zoe, conversando com o protagonista.

E Lucas e Marguerite não estão presentes nesta cena, esta última muito provavelmente por já ter falecido, ou até mesmo já ter sido substituída como “mamãe” (afinal, neste ponto Mia já recuperou a memória e luta para não ser controlada por Eveline). Quanto ao irmão, sua ausência pode muito bem ter ocorrido porque ele já não era mais submisso à E-001 há um bom tempo e, portanto, talvez não compartilhasse mais do subconsciente coletivo gerado pela menina. Ou seja, Zoe nunca foi abordada pela fabricante mesmo, no fim das contas.

Ethan e Mia não foram resgatados, mas sim capturados

Por que?

Vamos por partes, pois a teoria é grande. Primeiramente, vamos deixar claro que talvez tenhamos pelo menos 4 empresas agindo por trás de tudo.

  • a empresa misteriosa que desenvolveu essa nova iniciativa de armas biológicas a partir do fungo (que eles chamam de mutamiceto no game), cujo o nome ainda é desconhecido. Essa empresa (vamos chama-la de simplesmente “X” para facilitar, que tal?), pode ser a mesma na qual Mia fazia parte, compondo o time de operações especiais.
  • a tal “Umbrella Co.”, que, PODE OU NÃO SER a mesma que vimos no jogo Umbrella Corps, i.e., o grupo de mercenários que sai por aí coletando amostras de agentes virais causadores de vazamentos a mando de terceiros.
  • a empresa rival da “X” que já estava de olho em Eveline desde muito antes do game começar (há indícios de que planejavam roubar ou até assassinar a menina, no relatório de operações que o jogador encontra quando controla Mia no navio, e talvez eles até tenham contribuído para o incidente em alto mar). Esta companhia aqui eu chamarei de “Y”.
  • a B.S.A.A., como sempre chegando atrasada para a festa, mas continua aí tentando salvar a galera quando pode.

Agora que temos as três empresas bem definidas nessa teoria, vamos lá: eu tenho pra mim que quem estava de olho o tempo todo ali e ajudou o Lucas e tudo mais era a “X”, e não a “Umbrella Co.” como muitos acham. E tudo que rolou na propriedade dos Bakers desde a chegada de Mia e Eveline não passou de uma grande coleta de inteligência para esta companhia.

Afinal, o acidente do navio deve ter chamado a atenção de muita gente, e a “X” com certeza abordou alguém para repassar informações sobre o desenvolvimento da menina, assim eles conseguiriam formar um relatório de atuação dessa arma biológica, quando ela fosse de fato utilizada em campo.

* Algo que corrobora para esta teoria de que tudo não passou de um teste, é o texto que aparece repetidas vezes durante os créditos do game. Aqueles excertos compõem uma espécie de relatório. Leia a tradução abaixo:

O Produto é uma arma biológica mercadológica criada pela Divisão de Armas Biológicas.

Ela toma a forma de uma criança (neste caso uma menina chamada Eveline), que pode ser comprada e criada para atender às necessidades individuais do cliente.

Seu objetivo é o controle da mente – o que inclui o estímulo à violência. A aplicação pode variar, indo desde política a militar, até desestabilização econômica.

Método de indução: transferência química de compostos psicotrópicos via contato com a pele entre Produto e Indivíduo, o qual é induzido a um estado mentalmente sugestivo que responde somente ao Produto.

O Produto deve ser enviado com um número mínimo de dois Encarregados, cada um equipado com o soro que os imunizará do controle mental do Produtos, assim como os compostos estabilizadores necessários também. Os Encarregados devem estar equipados com equipamentos de rastreamento ajustados à bioquímica do Produto. Um dos Encarregados deve ser marcado no Produto como um parente próximo, seja este uma mãe ou uma figura paterna. Isso ajudará a controlar o Produto durante as operações de campo.

Não foram realizados testes em indivíduos privados de produtos químicos de manutenção durante mais de 6 meses, uma vez que a situação se torna demasiadamente perigosa para ser observado.

Se as injeções forem ignoradas por períodos prolongados de tempo, o Produto envelhecerá rapidamente – 25 vezes mais rápido do que o normal. Eventualmente, o Produto se tornará insano e um perigo para todos ao seu redor.

O Produto também afeta o meio ambiente, mutando plantas e promovendo o crescimento de um mofo psicotrópico altamente tóxico, cuja ingestão provoca insanidade e mutações no indivíduo que o ingerir.

Há alguma indicação de que o uso do mofo poderia reviver alguém que faleceu recentemente. No entanto, isso ainda não foi testado. Os primeiros indivíduos foram destruídos muito rapidamente para coletar dados definitivos sobre isso.

O Produto está pronto para testes de campo que devem ser iniciados o mais rapidamente possível. Existem clientes adequados nas Américas, e um deve ser selecionado o mais rápido possível para a entrega do teste.

* É verdade que a E-001 estava sendo levada para algum lugar na América Central, mas Mia e Alan não pareciam estarem munidos de soro, tampouco de compostos estabilizadores.

* Além do mais, vocês já prestaram atenção nos segundos finais dos créditos? Parece que há uma espécie de telefone tocando. Quando ouvi isso pela primeira vez, achei que fosse o meu vibrando, mas depois jogando novamente, reparei que isto ocorre no jogo mesmo. Será que teremos alguma atualização futura no game que nos permitirá escutar essa ligação? Será que essa suposta conversa deixará brechas para os futuros jogos da série, tal como acontecia em Metal Gear Solid?

* Trechos adicionados em 19/02/2017

Aí você me pergunta: “Mas por que essa fabricante da Evie não abordou a própria Mia então, já que ela era agente deles?” E eu respondo: porque ela foi comprometida (* e talvez até arbitrariamente sacrificada em prol do teste em campo), e a E-001 e ela já tinham construído um laço, ainda que forçado através da infecção. Seria de certa forma mais seguro acionar uma pessoa próxima, mas não alguém por quem a Evie nutrisse afeição.

Dadas estas informações, vamos considerar aqui que a “X” descartou a Mia de vez – e talvez até pretendessem elimina-la mais pra frente, seguindo protocolos de exposição em missão. É aqui que entra a “Umbrella Co.”, que pode ter sido enviada pela “Y”, que já estava interessada em obter a Eveline há algum tempo (lembrem-se que ela estava sendo transportada no navio justamente porque havia a possibilidade de roubarem-na).

Porém, com a neutralização de Eveline no fim do game, e somando o fato de que Ethan e Mia estão infectados… Adivinhem só? Ethan e Mia foram na verdade capturados pela “Umbrella Co.”, e podem estar sendo levados para a sede da “Y”, para que o fungo que ainda reside em seus organismos seja estudado e os hospedeiros submetidos a experimentos. Enquanto isso, a “X” agora tem informações suficientes para continuar e/ou talvez até aprimorar o desenvolvimento desta nova série de armas biológicas.

Por que não?

Simples: talvez estejamos sendo muito analíticos e enxergando chifre em cabeça de unicórnio. Talvez tudo seja mais simples que imaginamos. Talvez Ethan e Mia realmente foram resgatados e serão entregues ao hospital mais próximo, para passarem por uma avaliação médica emergencial. E aí começarão um tratamento para suprimir o avanço do fungo, impedindo que sejam transformados em criaturas grotescas… E a partir daí todos viverão felizes para sempre…?

Talvez.

E aí, você tem mais alguma teoria em mente? Algo que não comentamos aqui, mas que você formulou com base no jogo ou que até mesmo tenha lido por aí e achou muito bacana? Achou que todas estas sete teorias são furadas demais ou ainda possui algo a complementar pata torna-las ainda melhor? Compartilhe conosco suas opiniões nos comentários!

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