Deracine

Déraciné

por Leonardo Afonso

Limitado, mas ainda divertido

Mal sabia da existência de Déraciné quando questionado, de surpresa, se gostaria de o analisar. O game que remete totalmente a clássicos como Myst e Riven está longe de ser inovador, investindo no tradicional “point and click”, mas beneficiado pelas possibilidades que o PlayStation VR oferece.

Na trama, encarnamos um ser místico, uma fada que, nesse universo, é um pouco diferente do que estamos acostumados. Somos um ser invisível às pessoas e vivemos em uma dimensão na qual o tempo esta pausado. A partir dessa premissa, podemos interagir com alguns objetos, o que frustra um pouco, afinal, por que só podemos interagir com itens que têm ligação com a narrativa, quando há um universo todo ao nosso redor?

Tudo funciona melhor graças ao excelente trabalho de localização e dublagem, principalmente quando podemos ativar fragmentos de memórias que explicam o contexto da situação e fazem o jogo prosseguir. Mas, antes de falar mais sobre o enredo, é preciso comentar a linearidade, que torna uma aventura com potencial para ser cheia de exploração e liberdade algo muito limitado, a começar pelos controles.

A única opção disponível até o momento é jogar utilizando os Moves, os joysticks de movimento da Sony. Isso acarreta em uma movimentação ponto a ponto, permitindo apenas navegar para posições muito especificas. Essa falta de liberdade se refle também na narrativa, pois mesmo com a possibilidade de viagens no tempo, tudo acontece de forma totalmente linear.

Deracine

Não há a mínima possibilidade de testar o que pode ou não a cada interação. Fazemos o que nos é pedido e a história segue como programada, sem nada demais. Somos apresentados a um grupo de jovens e crianças orfãos, residentes em um internato. As observamos e interagimos com elas de início, visando comprovar nossa presença como fada.

Déraciné passa a sensação de ser um experimento do criador, Hidetaka Miyazaki, com as possibilidades do VR.

Aos poucos, somos levados a diversos momentos, datas e épocas diferentes, onde descobrimos como podemos ajudar as crianças. Nas primeiras horas, parece que Déraciné não vai além disso, mas, felizmente, há um clímax e a história anima do meio para o final do game.

Graficamente competente e dentro do esperado para um jogo em realidade virtual, o título consegue criar uma atmosfera, graças também à sua trilha delicada e condizente. Destaque para a versão de “Scarborough Fair” de Simon & Garfunkel. E por falar em atmosfera, Déraciné tem um algo a mais para os fans de um certo conto inacabado…

O jogo é uma produção de Hidetaka Miyazaki, presidente da From Software e a mente por trás das séries Souls e Bloodborne. E é justamente deste segundo título que podemos encontrar várias referências em Déraciné. Isso tem inclusive dado abertura a muitas teorias de que uma continuação está a caminho.

Jogar Déraciné é sentir um misto de contentamento, pelas lembranças de Myst, junto com decepção pelo caráter limitado. A sensação que fica é de que Miyazaki está apenas brincando e experimentando as possibilidades do VR, e quem sabe, no futuro, não colhamos frutos mais maduros desse experimento.

O game foi testado em cópia cedida pela Sony.

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