faeria

Faeria

por Fernando Scaff Moura

Um card game com tabuleiro

Faeria pode não ser o próximo Hearthstone. Na real, acho que nada fará no mundo o que o game da Blizzard fez: colocar os card games online no mapa de jogos. A empresa não criou o primeiro do gênero, existem muitos bons anteriores, mas, sem dúvida, elevou a marca de qualidade e expectativa que se tem para os jogos de cartas. Esse pioneirismo e ousadia conseguiu mudar o gosto do grande publico. Hoje, jogar um card game online é normal.

Aí entra Faeria, que cumpre todos os requisitos que o Hearthstone criou e faz um pouco mais. É lindo, dinâmico, divertido e, além disso,  traz inovação de estratégia e jogabilidade que o torna muito interessante.

Acho que é preciso algum contexto aqui. Talvez pelo fato de ser game designer, não consigo falar de um jogo sem falar de outros. O que encontro de bom em Faeria está na diferença que ele tem para seus concorrentes, como Hearthstone e Gwent. O primeiro é um jogo de cartas puro – baralho contra baralho, muito mais parecido com Magic: The Gathering (MTG) do que qualquer outro. A grande estratégia é tentar antever os movimentos do oponente e, blefando ou sobrepujando, tendo sorte nas cartas que vêm, reduzir o deck ou a vida do oponente a zero. Simples, preciso e muito divertido.

Faeria é para quem curte card games e quer experimentar algo novo. Ele pode não ser o próximo Hearthstone, mas cumpre todos os requisitos do gênero e faz um pouco mais.

Gwent, por outro lado, já aprofunda mais na ideia de um jogo virtual. Além das cartas e dos baralhos, você tem uma pitada de caos. Existem três áreas e cada criatura só pode ser invocada em uma delas. Contudo, existem cartas que afetam o clima, ou seja, pode existir névoa, chover ou nevar. Isso afeta as cartas positiva ou negativamente, e alguns baralhos tentam controlar, evitar ou se aproveitar disso. Além disso, existem três rodadas, e você terá cartas limitadas para cada.

Render-se em um turno para economizar para o próximo pode ser uma estratégia, assim como ir com tudo. O jogo ganha uma complexidade de posicionamento de terrenos e controle de recursos muito interessante, contudo, um baralho de criaturas fortes em massa fatalmente ganhará. Deste modo, ao final, reduzimos o jogo a uma queda de braço, algo que a sorte e sinergia das cartas em Hearthstone conseguem controlar.

Faeria aprofunda ainda mais esse conceito de jogo virtual, sem se afastar muito dos jogos de tabuleiro. A cartas têm, sem dúvida, relevância e seu baralho faz toda diferença, porém, seu controle do terreno é o grande elemento estratégico inovador. Para poder colocar uma carta na mesa, você precisa ter terrenos, neutros ou específicos, de forma parecida com Magic – uma carta, por exemplo, precisa de quatro florestas para entrar em jogo. A graça aqui é que são florestas mesmo, em um grid hexagonal onde o jogador coloca seus terrenos e cria um caminho até o oponente para poder acertar os pontos de vida dele. Isso é muito interessante, pois temos uma fusão de estratégia por turnos com baralho.

O posicionamento das cartas é algo que deve ser levado em conta. A colocação de defensores e atacantes avançados no mapa, ou mesmo coletar energia nos cantos do tabuleiro, tudo isso depende de como você pensou seu baralho e como deve lidar com o oponente. O tutorial ensina muito bem essa complexidade de estratégias e é rápido e agradável de jogar. Em pouco tempo, você acaba aprendendo tudo que deve ser feito e os recursos do jogo, além de ganhar algumas cartinhas fazendo isso. Contudo, mesmo quando você já entendeu, precisa cumprir todas as etapas do tutorial para poder jogar, e ainda jogar algumas partidas contra a máquina para conseguir baralhos diferentes e, só então, enfrentar contra seres humanos.

Baralhos diferentes

Faeria

Esse é um dos elementos que sentia falta nesses jogos de cartas modernos. Eles forçam, por conta do balanceamento, que seus baralhos se resumam a uma facção e, assim, evitam de acontecer combinação de cartas de grupos diferentes. Faeria traz essa possibilidade de volta, como víamos em Magic. Seus decks podem combinar quantas cores quiserem, e fazer isso como você imaginar. O jogo possui sete elementos diferentes: Neutro, àgua, Areia, Ar, Fogo, Floresta, Terra. E, claro, cartas que combinam diferentes tipos de elementos.

Além de uma jogabilidade competitiva, Faeria possui uma modalidades de Puzzle, ou seja, cenários pré montados, com quantidade de ações e cartas definidas e o jogador deve resolver a situação. Eu só me diverti fazendo isso em jogos como Xadrez e GO, e realmente gostei dessa modalidade que, em geral, em nada tem relação com o modo competitivo, mas ajudará, e muito, a melhorar sua estratégia e a dinâmica de jogadas, reduzindo turnos e economizando energia.

O título possui um dinamismo para montagem de baralhos, profundidade de controle estratégico de terreno e decisões sobre o controle de energia, já que isso te permite armazenar para o próximo turno e usar cartas mais poderosas. Faeria é para quem curte card games e quer experimentar algo novo. Acredito que qualquer amante do gênero irá se divertir e encontrar uma boa experiência. Aos que não se interessam, talvez o jogo seja um pouco mais complicado que os outros, mas vale a pena, o tutorial ensina rapidamente e, assim que pegar o jeito, você estará se divertindo.

Além disso: É grátis!

O game foi analisado no PC.

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