FIFA 18

FIFA 18

por Felipe Demartini

Mais um ano no coração da galera

Na briga de consoles, existe um termo conhecido como system-seller, o exclusivo de peso, que fará com que uma pessoa escolha entre uma plataforma ou outra. A franquia FIFA, entretanto, leva esse conceito a novas dimensões – é essa a marca que fará com que muita gente faça a opção de comprar ou não um video game.

Seja pelo amor ao esporte, pela vontade de controlar os times preferidos ou reunir os amigos para partidinhas amistosas ou nem tanto assim, principalmente quando falamos no mundo online, temos aqui algo que move paixões, tanto quanto as bolas de verdade que rolam nos gramados reais. FIFA 18, um dos maiores lançamentos da Electronic Arts neste ano, é mais uma prova de porque isso acontece.

Simplesmente ao acessar o menu inicial, é fácil entender não apenas o motivo de termos uma franquia tão longeva, mas também porque estes games são jogados sem parar, pelo menos, até o próximo lançamento. Títulos normalmente possuem um ciclo de vida – algumas vezes, altamente curto –, mas FIFA não. Como um bom atacante, ele segue em velocidade, ultrapassa os adversários e está sempre ali marcando presença.

Em sua nova iteração, a promessa é da versão mais fiel possível do esporte. Para quem, como eu, não jogava de verdade um título de futebol há alguns anos, foi a chance de entender porque um título desse tipo atrai tanta atenção. Não demorou muito para que isso acontecesse.

Os bons e velhos tempos das figurinhas

FIFA 18

Fica difícil começar a análise de FIFA, tamanha a variedade de opções disponíveis. Temos partidas amistosas, torneios online, copas personalizadas, uma campanha, modos de treino e diversos outros. É fácil, entretanto, encontrar qual o modo que, mais uma vez, arrebanhará multidões e ele se chama FIFA Ultimate Team.

FIFA 18 traz tudo aquilo que os amantes da franquia já adoram. É uma sequência no melhor estilo da palavra, levando adiante conceitos, corrigindo falhas, mas também acrescentando outras que podem ser consertadas no futuro – assim se espera.

A modalidade que transforma cada jogador no dirigente de seu próprio time, tendo que manejar contratos, lesões, cartões e posicionamento tático tem, em seu cerne, um sistema de cards que remete aos bons e velhos tempos das figurinhas. Completar certos objetivos ou obter a vitória sob determinadas circunstâncias garantem pacotes com itens e, principalmente, jogadores para o elenco. A mistura de colecionismo e aleatoriedade explica porque temos tantos vídeos de FUT com pessoas caindo da cadeira quando conseguem aquele atleta dourado.

Dá para entender, também, porque o modo é o maior motor de microtransações do game. Em FIFA 18, isso não é diferente – dá para comprar cartinhas individuais com dinheiro de verdade, e com isso, ter aquele time turbinado logo de início. Os valores, entretanto, estão bem altos, então, se você quiser ter nomes como Neymar, Messi, Pelé ou Diego Maradona em sua equipe, deve se preparar para enfiar a mão no bolso – ou passar vários dias jogando sem parar.

Para quem entende de futebol, seja com microtransações ou não, o modo FIFA Ultimate Team acaba sendo um verdadeiro deleite. Montar esquemas táticos e mudar a posição dos jogadores altera o índice de entrosamento da equipe, o que repercute em ações no campo. Ter somente jogadores de nível alto pode não ser tão interessante quando eles não sabem jogar bola juntos, é preciso levar em conta nacionalidade, clube e também posicionamento. Quase como uma versão do Cartola em que você, depois, também pode controlar a equipe em campo.

Jogar online ou de forma desconectada também garante recompensas diferentes em pontos, assim como a dificuldade escolhida. Para tornar o modo mutável, a EA Sports também disponibiliza seleções com os melhores atletas das rodadas internacionais para serem enfrentados, bem como times baseados em temas específicos. A variedade de opções é enorme e mesmo quem não é fã do modo multiplayer pode se divertir tanto quanto aqueles que vivem disputando na internet.

“Com o coração batendo a mil”

FIFA 18

No ano passado, com o abandono da engine Ignite em prol da Frostbite, que deve ser o motor gráfico da nova geração de títulos da franquia, a saga passou pela maior revolução de sua história. Agora, entretanto, as bases já estão firmadas e a EA Sports pode, mais uma vez, se voltar a melhorar aquilo que já agradou tanto aos fãs no ano passado.

Isso se traduz na noção, rapidamente obtida, de que FIFA 18 não é um jogo para fracos. Mesmo enfrentando a inteligência artificial, quem não tem intimidade com a bola vai penar, e o mesmo vale para o ambiente online. Chegar a um nível alto, entretanto, chega a soar simples, com os controles fluidos de sempre unidos a um movimento natural de jogadores e da bola.

FIFA Ultimate Team deve arrebatar multidões mais uma vez, com sua mistura de colecionismo, aleatoriedade e estratégia.O modo, acima de tudo, é um deleite para os conhecedores do esporte.

Jogadores de primeira viagem podem se confundir com todas as mecânicas existentes em uma única ação, mas realizá-las é tão natural que se torna, rapidamente, simples. Uma dificuldade progressiva nas partidas contra a inteligência artificial auxilia nesse sentido, assim como sistemas de indicação do que fazer e os treinamentos durante a tela de loading, que ajudam a pegar o jeito nos fundamentos básicos do esporte.

Rapidamente, até mesmo os iniciantes se acharão aptos a encararem adversários online, podendo até perder, mas sem fazer feio. A curva de aprendizado é rápida e simples, mas separar os garotos dos adultos, entretanto, vai exigir muito mais treino e dedicação. Quase como nos gramados reais.

FIFA 18

Entretanto, existem dificuldades no caminho. É possível perceber pouca intimidade entre os movimentos do jogador e aqueles realizados pela inteligência artificial, que fazem com que muitos jogadores fiquem, simplesmente, parados aguardando a pelota chegar até eles. Outras vezes, os movimentos soam lentos e arrastados, como se os atletas estivessem jogando sob a água.

A pressa, em FIFA 18, é inimiga da perfeição. Pressionar o botão rapidamente e exigir jogo rápido vai resultar em uma movimentação descuidada, com fáceis oportunidades para os oponentes. No contra-ataque é legal ser veloz, mas na maioria do tempo, a jogabilidade de FIFA 18 pede que o jogador observe bem o que está fazendo, controlando a intensidade dos chutes e a direção da bola antes de manda-la adiante. Entretanto, a já citada lentidão pode acabar colocando tudo a perder, sem que o usuário possa fazer nada a esse respeito.

Manequins contra estrelados

FIFA 18 traz muito de sua força nos detalhes. Como o anterior já estabeleceu as bases fortes para a franquia, restava à EA Sports apenas levar adiante aquilo que já havia agradado e corrigir as falhas existentes. Na composição de certo com errado, o título faz bonito, mas não passa invicto.

FIFA 18

De um lado, temos visuais impressionantes para alguns jogadores. Neymar, Messi, Pelé, Suárez, Cristiano Ronaldo e tantos outros aparecem de forma extremamente realista nos gramados digitais, com direito a câmeras que mostram, em close, detalhes como tatuagens e comemorações inspiradas nas contrapartes reais. Vê-los se movendo em FIFA 18 é como observá-los jogando nos campos reais.

Entretanto, essa fidelidade visual é tão alta quanto a popularidade do atleta em si. A dinâmica é simples – quanto mais cultuado for um jogador, melhor ele aparecerá em FFA 18. E a recíproca também é verdadeira – muitos deles, principalmente nos times menores, nem mesmo são parecidos com suas contrapartes reais, apresentando movimentos de comemoração genéricos e a tradicional cara de cera a que estamos acostumados em modelos digitais que não foram tão bem trabalhados assim.

O quesito gráfico brilha também no modo A Jornada, que dá continuidade ao sucesso do personagem Alex Hunter, protagonista do modo campanha. Nesta história, estão as melhores versões de Cristiano Ronaldo e Neymar, com direito até mesmo à captura facial e dublagem feitas pelos próprios jogadores, de forma a trazer mais autenticidade à história de um atleta como qualquer um de nós, que começou do zero e vê suas histórias familiares se misturando ao próprio caminho para o sucesso.

FIFA 18

E falando em dublagem, é preciso tecer notas tanto negativas quanto positivas em relação ao trabalho de localização. Com Tiago Leifert na narração e Caio Ribeiro nos comentários, FIFA 18 chega, mais uma vez, completamente em português, mas com uma cobertura bem diferente daquela que vemos na televisão.

É claro, estamos falando de um jogo, e sendo assim, não existe maneira de criar uma narração digital que seja semelhante ao real. A quantidade de piadinhas do trabalho de Leifert, entretanto, ao mesmo tempo em que trazem personalidade a seus comentários, também deixam mais evidentes as repetições. E acredite, elas serão muitas, uma demonstração de que a EA não gravou tantas falas assim, ao ponto de diversas delas serem repetidas três ou quatro vezes no mesmo jogo.

FIFA 18 peca muito em termos de licenciamento para os brasileiros, com times nacionais de elenco genérico e foco completo no futebol internacional. As equipes femininas também ficaram em segundo plano.

Algumas sacadas chamam a atenção – como a propaganda de Mass Effect: Andromeda quanto a partida está dominada ou as menções de sempre ao trágico “7 a 1” – ao mesmo tempo em que existem os momentos em que o jogador ficará com sentimentos divididos. É o caso de alguns comentários machistas pontuais, que aparecem em condições específicas, ou de falas longas demais que acabam sendo interrompidas pelo andamento das partidas.

Vale a pena notar ainda um cuidado um pouco maior com a torcida, que responde de forma melhor ao que acontece na partida e tem integrantes capazes até mesmo de desviarem de bolas lançadas na direção deles. Ouvir os gritos de incentivo durante uma goleada, ou as vaias quando o contador está girando contra o próprio time, ajuda a criar a atmosfera que um game desse tipo merece.

FIFA 18

Para os brasileiros, porém, FIFA 18 peca muito em termos de licenciamento. Não apenas não temos nenhum estádio nacional como os times do nosso país aparecem com elencos genéricos. O foco é completo no futebol internacional, principalmente europeu, não apenas devido a uma tentativa de focar em um mercado global como também pelo fato de tais autorizações estarem nas mãos da rival, a Konami.

FIFA 18 prova por A + B, e novamente, porque tem tanto “Fifeiro” apaixonado espalhado por aí…

É justamente, aqui, que é traçada a linha entre os dois grandes competidores do mercado dos jogos de futebol. FIFA 18 apresenta uma experiência das mais ricas e interessantes, com modos de jogo que agradam a todos os tipos de público e rotinas que abraçam tanto aos veteranos quanto aos novatos, que estão começando a bater uma bolinha apenas agora.

Em meio a essa miríade gigantesca de opções, entretanto, muito acaba se perdendo, como as já citadas aparências de jogadores, às vezes fraca e em outras inexistente, bem como em opções meio genéricas de torneios e competições – destaque negativo, ainda, para o fato de as seleções femininas retornarem, mas em segundo plano e com, nem de longe, o mesmo trabalho de modelagem dedicado aos jogadores do gênero masculino – aqui, os visuais são os mesmos da versão do ano passado.

FIFA 18

FIFA Ultimate Team, entretanto, faz valer a pena tudo isso e deve ser, de longe, o modo mais jogado por quem escolher o título da Electronic Arts neste ano. O melhor do futebol está aqui, misturando tática, colecionismo e, acima de tudo, a maior diversão presente no game, ao lado apenas das partidas multiplayer com os amigos.

Ao final dos 90 minutos, FIFA 18 traz tudo aquilo que os amantes da franquia já adoram, de forma aprimorada e mais interessante. É uma sequência no melhor estilo da palavra, levando adiante conceitos, corrigindo falhas, mas também acrescentando outras que podem ser consertadas no futuro – ou, pelo menos, é isso que se espera. Acima de tudo, é o título que fará qualquer gamer entender porque temos tantos “Fifeiros” apaixonados pela saga em todo o mundo.

O jogo foi analisado no PlayStation 4, em cópia cedida pela

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