Full Throttle Remastered

por Felipe Demartini

Um ícone com motor renovado

Do que você se lembra quando sente cheiro de asfalto? Faça essa pergunta a qualquer fã de adventures das antigas e ele com certeza te dará a resposta certa: Maureen. As falas iniciais de Full Throttle marcaram uma geração por uma série de fatores. Trata-se do primeiro game da LucasArts lançado em CD, o que permitiu animações muito mais complexas e em tela cheia, aliadas a uma trilha sonora incrível, dublagem fantástica e, acima de tudo, localização em português.

Tudo isso pode parecer comum hoje em dia, mas naquela época, tudo isso era inédito, o que acabou marcando o game no imaginário dos mais velhos. Assim como a citação acima, não serão poucos os que se lembrarão das guitarras iniciais de “Legacy”, da banda The Gone Jackals, e conhecem a solução de enigmas como a palma da mão. Poucos adventures são mais icônicos, e agora, todo esse cheiro de óleo e nostalgia está de volta.

A remasterização de Full Throttle funciona como um modelo antigo, lançado de acordo com as especificações de uma nova geração. Tudo o que existia no passado está lá sem adições ou cortes. Entretanto, praticamente todos os aspectos foram modernizados e repaginados, tornando o título adequado ao estilo atual e ao que costumamos ver nas novas plataformas.

Na nova versão, Full Throttle segue provando porque, mesmo sem se tornar uma franquia, é um dos adventures mais queridos dos jogadores.

A começar pelos 15 mil frames de animação, todos pintados à mão pela equipe da Double Fine, liderada por Tim Schafer. Os visuais inéditos de Full Throttle dão um novo tom ao título, que muitas vezes chegam a lembrar as animações antigas da Disney, mas sem perderem a identidade. Quem for mais purista, entretanto, pode jogar com os gráficos quadradões e lindos de outrora ao toque de um botão.

Ao lado do visual novo, estão também vozes e trilha sonora remasterizadas, que funcionam bem até mesmo em sistemas de som mais avançados. Aqui, mais uma vez, temos uma prova do trabalho cuidadoso feito pela Double Fine, uma vez que estamos falando de um game da época em que muitos computadores nem possuíam caixas de som – e os que as tinham entregavam um som de baixa fidelidade e qualidade.

Full Throttle

Chama atenção, ainda, um cuidado com os controles, principalmente na versão PlayStation 4. A ideia de arrastar um ponteiro do mouse pela tela usando o analógico não é das mais agradáveis, e, felizmente, a Double Fine fugiu da alternativa mais fácil, que seria usar o touchpad, para entregar um conjunto agradável de comandos. O cursor se movimenta por aí com a velocidade adequada, enquanto, no tradicional menu em círculo, é possível saltar diretamente entre as opções.

Alguns engasgos, entretanto, aparecem ao longo da jornada de Ben, e é pior ainda quando eles acontecem em momentos climáticos. Durante o memorável trecho em que controlamos o protagonista em sua moto, enfrentando inimigos pelas estradas, o título pode simplesmente travar. O mesmo acontece nas cenas finais, com a tela simplesmente congelando e cortando o coração dos fãs.

Full Throttle

Tais falhas acontecem, aparentemente, somente na versão PlayStation 4, e, até o momento em que esta análise foi escrita, ainda estão presentes no título. Às vezes, ativar os visuais originais resolve o problema, mas em outras, resta apenas reiniciar o jogo e rezar para que o salvamento automático não esteja muito distante.

Na nova versão, Full Throttle segue provando porque, mesmo sem se tornar uma franquia, é um dos adventures mais queridos dos jogadores. Dá para perceber o carinho dos realizadores, na faixa de comentário que vem como grande extra da remasterização, e essa atenção aos detalhes pode até não ter evitado bugs, mas transparece em todos os outros aspectos do título.

Full Throttle

E se, para os produtores, remasterizar Full Throttle foi uma divertida volta ao passado, o mesmo vale para os jogadores. Aqueles que estão chegando agora encontrarão uma aventura interessante, com uma trama simples e ao mesmo tempo instigante, com reviravoltas e um humor sutil. Mas o verdadeiro apelo reside com os saudosistas, que se deliciarão com o retorno de Ben e, provavelmente, passarão dias com a trilha sonora tocando na mente. Vida longa aos Polecats e que Padre Torque abençoe todos nós.

O game foi analisado no PlayStation 4.

Publicidade