Just Dance 2017

por Cecília Fialho

Erros e acertos

Em time que está ganhando não se mexe, certo? Mais ou menos. Em outubro de 2016 a Ubisoft lançou Just Dance 2017, décimo sétimo volume do jogo que há quase dez anos te faz saracotear na frente da televisão com os hits mais populares da temporada. Já há algum tempo criando edições que mais parecem DLCs, e sentindo a necessidade de reinvenção do jogo, a desenvolvedora francesa anunciou, em 2015, o serviço Just Dance Unlimited, que te permite dançar músicas de edições passadas em troca de uma anualidade.

O mecanismo deu muito certo, com o porém de que praticamente só permite a compra de músicas de versões anteriores à edição do Just Dance mais atual, ou seja, ainda que você seja assinante, só terá acesso à maioria do conteúdo presente se comprar o novo jogo.

A proposta teve adesão de parte significativa dos consumidores da franquia, mas ainda requer aprimoramento, para que não seja preciso apilhar discos e discos do jogo ano a ano. Além disso, a ideia de pagar pelo acesso ao Unlimited mais a aquisição da mídia física (ou digital) da última versão cria uma espécie de canibalismo empresarial, em que o lançamento de um produto pode afetar negativamente as vendas de outro do mesmo grupo.

O jogo continua divertido. No entanto, a sensação é de que a Ubisoft ainda não encontrou o ponto de equilíbrio entre o lançamento de novas edições e o crescimento de Just Dance Unlimited.

De qualquer forma, entre erros e acertos, a Ubisoft tem mexido seus pauzinhos, e Just Dance 2017 veio com excelentes propostas para agradar tanto àqueles que só querem se divertir com os amigos quanto aos que decoram as coreografias, competem com outros jogadores e repetem performances em busca de uma pontuação melhor. São 40 novas músicas, sendo duas com intérpretes brasileiras (Anitta e Daya Luz), seis modos e quase 120 milhões de jogadores ao redor do mundo, desde a versão PS4 até o aplicativo para celular.

O layout está mais caprichado, interativo, os planos de fundo durante as músicas muito criativos e, claro, há de se comentar a bela homenagem ao extraordinário Freddie Mercury, em interpretação de Don’t Stop Me Now, do grupo britânico Queen. Há também mais opções de ícones para cada player, até mesmo brincando com outras franquias da desenvolvedora, como Assassin’s Creed e Far Cry.

Numa visão geral, o título continua divertido. No entanto, a sensação é de que a Ubisoft ainda não encontrou o ponto de equilíbrio para solucionar o embate entre lançamento de novas edições do jogo e o crescimento de Just Dance Unlimited, que sinaliza a opção mais lógica (ou o abandono definitivo das edições anuais da franquia).

Ah, e um adendo importante. Os fãs aguardam ansiosamente pela disponibilização da versão original da coreografia de Single Ladies, da Beyoncé, como o que fizeram com Bad Romance, da Lady Gaga, em 2015. Há danças que precisam ser aprendidas.

O jogo foi testado no PlayStation 4, em cópia cedida pela Ubisoft.

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