Marvel Vs Capcom Infinite

por Jessica Pinheiro

Ao infinito, mas não além

Quando o contrato que a Capcom tinha com a Marvel expirou há cerca de três anos, mesma época que chegamos ao auge de todo o rebuliço a respeito da licença de alguns personagens da editora nas adaptações para as telonas; parecia que jamais teríamos outro jogo da série Marvel Vs Capcom novamente, depois de Ultimate Marvel Vs Capcom 3, lançado em 2011.

Todavia, fomos surpreendidos novamente com o anúncio de um novo game da franquia durante a PlayStation Experience 2016, um reboot para sermos mais específicos: Marvel Vs Capcom Infinite, cuja data de lançamento havia sido previamente indicada para o fim de 2017, e, bem… enfim temos este esperado jogo em mãos.

Apesar das várias polêmicas em torno de vazamentos de personagens secretos e de ter sido criticado após o lançamento de sua demonstração pública durante a E3 2017; Marvel Vs Capcom Infinite enfim alcança o catalogo das principais lojas de entretenimento, um pouco mais polido e fluído, sim; mas ainda tendo um caminho a perseguir caso queira emplacar de verdade. E, sorte a nossa, existem brechas para isto no futuro!

I WANNA TAKE YOU FOR A (JOYFUL) RIDE!

Se há algo que eu senti assim que eu peguei no joystick e comecei a jogar, é a forma como a jogabilidade está mais acessível, se comparado com outros games da franquia. A nova fase adotada pela Capcom para com jogos de luta, que se iniciou em Street Fighter V, felizmente se estendeu até MvCI, trazendo uma jogabilidade simplificada, abrangente, que convida todos os tipos de jogadores a se divertir de diferentes maneiras.

Não que antes os comandos para aplicar combos e/ou golpes especiais fossem um bicho de sete cabeças, não – exceto se você quisesse imitar os pro players que emendam combos infinitos nos oponentes, dando pouquíssima janela para que eles contra-ataquem. Mas aqui, quem está familiarizado com jogos de luta, e especialmente quem não está, consegue se dar bem, já que a curva de aprendizagem está muito bem delineada.

Jogabilidade simplificada, abrangente, que convida todos os tipos de jogadores a se divertir de diferentes maneiras.

A principal diferença entre os outros Marvel Vs Capcom e o Infinite em questão de mecânicas, é a adição das Infinite Stones (as famosas Joias do Infinito). No total são seis gemas, e cada uma delas concede uma habilidade diferente para o time escolhido.

Explicando melhor: nos modos de batalha (Arcade, Online, etc.), após escolher os seus dois bonecos, você deve decidir entre uma das seis pedras especiais. Durante as lutas, enquanto o medidor de energia da joia sobe, é possível usar brevemente a habilidade especial que ela te concede, como por exemplo, um boost de velocidade, uma magia especial, magnetizar o inimigo, dentre outros. E quando a energia chega em 50% do medidor, pode-se ativar o Infinite Storm, que altera todo o cenário ao redor e coloca os seu time em certa vantagem por um curto período de tempo – semelhante ao X-Factor de MvC3/UMvC3, mas com a diferença de que toda a tela também é afetada, e para cada Joia do Infinito há uma propriedade especial diferente.

Todos estes macetes que as gemas oferecem concedem ao jogo um grande leque de estratégias, aumentando a diversificação e, por tabela, a diversão – ainda mais com as viradas que elas podem oferecer. Além disso, todos os modos (e menus) disponíveis até então no game, aumentam o rol de gameplay. É possível jogar online ou contra a CPU no modo Arcade, ou ainda trilhar o caminho do mais forte em partidas de Rank, ou ainda treinar em um modo específico para isso. Existe ainda galerias de imagens e vídeos, dentre outros; e claro, o modo História.

MAS PRECISAMOS REVISAR O CARRO PRIMEIRO…

O modo História de MvCI, inclusive, é onde a Capcom e a Marvel vêm focando suas expectativas, prometendo uma experiência interativa diferenciada para a comunidade. Felizmente, depois de SFV, toda a lição aprendida foi utilizada e, aqui, temos uma história um pouco mais consistente. Pessoalmente, embora eu tenha achado o enredo deveras clichê e o desenvolvimento dele repleto de momentos previsíveis – e com uma dificuldade instável que, aliás, o jogador pode diminuir, caso esteja perdendo muito as batalhas –, ainda assim a narrativa traz diversos momentos repletos de referências adoráveis, que os fãs de obras das duas empresas irão adorar.

No plot, utilizando duas Joias do Infinito, os personagens Sigma e Ultron se fundiram e, com eles, diversos universos da Capcom e da Marvel também. Agora cabe a alguns heróis dos dois lados se unirem para deter os planos malignos dos dois robôs unidos, além de restaurarem a ordem em seus mundos. Para isso, eles precisarão reunir as outras quatro gemas do poder. Os personagens que estrelam MvCI, por sinal, estão bastante fieis em conceito e personalidade, e esbanjam simpatia e diversão com homenagens icônicas, piadinhas sarcásticas e até frases clichês em alguns momentos, mas que encaixam muito bem com o contexto e/ou concepção do boneco. Existem, é claro, uma ou duas exceções, como não poderia deixar de ser… mas num geral, o saldo para os protagonistas apresentados até então é positivo.

No plot, utilizando duas Joias do Infinito, Sigma e Ultron se fundiram e, com eles, diversos universos da Capcom e da Marvel.

Em questão de diversificação de personagens, porém, o papo é outro. Muitos bonecos queridos de MvC3/UMvC3 estão de volta… o que não significa muito. Infelizmente, muitos destes que retornam não apresentam novidades significativas, nem em questão de design e tampouco no que se refere a moveset.

E por falar em design, muitos personagens demonstram um visual estranho, para não dizer feio até. A face de muitos bonecos parece mal-acabada/mal polida em algumas cutscenes, e em outras é possível ver até as sardas deles… num geral o visual do jogo está bonito e bem colorido, mas os rostos dos personagens realmente incomodam em alguns momentos.

A trilha sonora que outrora fora tão marcante na série, seja trazendo rearranjos de temas icônicos dos personagens, ou criando músicas exclusivas que grudam na cabeça de tão boas que são (MvC2, estou olhando para você!), infelizmente não marcaram presença aqui. MvCI possui músicas bem genéricas, pouco memoráveis, puxadas para uma orquestra repleta de tons graves e/ou batidas eletrônicas aqui e acolá, que pouco acrescenta ao sentimento de calor da batalha.

O PASSEIO AINDA NÃO ACABOU.

Com uma jogabilidade acessível, diferentes modos de jogo, diversos personagens iniciais, um satisfatório modo História, gráficos e visuais um pouco estranhos e uma trilha sonora pouco marcante, MvCI se renova e se reinventa, mas ainda tem um certo caminho a perseguir para se aperfeiçoar, ainda mais neste ano de 2017, marcado por incontáveis títulos que caíram na graça da crítica e do público (alguns deles, inclusive, são do gênero lutinha também). Inclusive, algo que a Capcom poderia embutir numa atualização futura, se possível, seria a opção de mudar apenas o idioma das vozes dos personagens, mantendo as legendas em outra linguagem. Pessoalmente, gostaria de jogar com a dublagem japonesa e os textos em inglês, por exemplo.

MvCI se renova e reinventa, mas ainda tem um certo caminho a perseguir para se aperfeiçoar.

De toda forma, Marvel Vs Capcom Infinite possui até agora 30 personagens disponíveis para se jogar – e mais alguns outros que aparecem no modo História, mas não são jogáveis. Até o momento, em nota divulgada pela Capcom para a imprensa, mais seis personagens serão adicionados ainda este ano, sendo que os dois primeiros já foram mostrados: Sigma e Pantera Negra. Os demais serão Monster Hunter, Soldado Invernal, Viúva Negra e o polimorfo Venom. Ainda não há imagens de divulgação destes bonecos, mas logo outras notícias devem pintar por aí.

Por fim, mal posso esperar para ver MvC de volta aos campeonatos de jogos de luta, agora com o Infinite. E já me juntei ao time das especulações e teorias, afinal, este novo título ainda promete bastante em questão de conteúdo. Fique de olho aqui no NGP para eventuais novidades sobre MvCI!

O jogo foi analisado no PlayStation 4 em cópia cedida pela Capcom.

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