Os DLCs, já há alguns anos, deixaram de ser uma tendência crescente para se tornar padrão. Hoje, dá para contar nos dedos os games que chegam ao mercado sem contarem com algum tipo de conteúdo extra digital, seja uma roupa diferente para o personagem ou um capítulo adicional.

Hoje, vamos falar sobre o conceito em si, que apesar de vigente, ainda pode confundir a cabeça de muita gente. Mais especificamente, vamos falar sobre a diferença entre expansão e DLC e tentar explicar porque, na maioria dos casos, o primeiro é bem melhor que o segundo quando falamos em custo-benefício.

Igual…

Em sua base, os dois termos significam basicamente a mesma coisa. Uma expansão, como o nome já diz, é o tipo de conteúdo que torna a experiência original de um jogo mais completa, seja pela adição de novas fases, itens ou por transformar a experiência completamente, trazendo algo de novo à fórmula.

Uma campanha extra completa, como é o caso de Red Dead Redemption: Undead Nightmare, é uma expansão. Um pacote de armas para Call of Duty: Advanced Warfare ou aquela fase extra com a Batgirl em Batman: Arkham Knight também, pois não deixam de expandir a experiência do jogo principal, mesmo que de maneira mínima.

Já os DLCs, basicamente, são todo tipo de conteúdo adicional disponibilizado por download. Esse, aliás, é o significado da sigla – Downloadable Content. Todos os exemplos citados acima se encaixam aqui, já que apesar do caráter fundamentalmente diferente em termos de escopo, valores ou adições, todos foram disponibilizados pelas redes online dos consoles ou PCs, tendo que ser baixados pelos usuários para serem jogados.

Essa foi uma das grandes mudanças operadas pelo “advento” dos consoles conectados à internet. Mais do que tornar comum a jogatina online, redes como PSN e Xbox LIVE permitiram que as empresas expandissem a experiência original para além dos discos lançados no mercado, liberando conteúdos inéditos, lançando atualizações e, claro, ganhando um pouco mais de dinheiro em troca de algumas horas adicionais de gameplay.

The Sims

Quem é das antigas vai se lembrar, por exemplo, do primeiro The Sims, que teve diversas expansões lançadas em disco, inclusive no Brasil. Os desavisados que comprassem os pacotes “Gozando a Vida” ou “O Bicho Vai Pegar”, por exemplo, precisavam ter o jogo-base para que pudessem ter acesso ao conteúdo. Aqui, claro, não estamos falando de DLCs, já que são conteúdos físicos, e não liberados pela internet.

… só que diferente

Com o tempo e a acomodação desse tipo de prática, a coisa mudou um pouco em seu conceito. Os jogadores passaram a se referir aos conteúdos menores como DLCs, enquanto aqueles que efetivamente levavam a história adiante ou tinham mais carga ficaram conhecidos como expansões.

Até mesmo empresas começaram a se referir aos conteúdos desta maneira. Em uma polêmica com jogadores brasileiros sobre o tema, por exemplo, a Ubisoft disse com todas as letras que DLCs são itens como armas, roupas e personagens, enquanto as expansões são os capítulos extras para a história, mesmo que estes também tenham sido baixados via internet.

Essa categorização um pouco diferente também possibiitou a criação de duas novas categorias de produto. Para jogos de alto nível, as distribuidoras começaram a apostar em relançamentos, as conhecidas “Edições Jogo do Ano”, que trazem não apenas o game original como também todos os seus extras em um único disco. Mesmo aqui se fala em DLCs, mesmo que não exista nenhum download envolvido na questão.

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Outro fruto desse tipo de prática foram os DLCs independentes, ou standalone DLCs, em inglês. São extras que, apesar de ligados intimimamente ao game original, não precisam dele para serem jogados. É o caso, por exemplo, de Far Cry 3: Blood Dragon, que deu um ar de anos 80 para a ação na selva, ou Left Behind, que deixou de ser uma expansão de The Last of Us para se tornar uma experiência individual.

A polêmica

A discussão sobre a existência de DLCs já é antiga, mas recentemente, parece ter perdido um pouco de força na medida em que os fãs entendem que reclamar não adianta muito. Estamos diante de uma prática que não apenas é comum, mas se tornou constante. A melhor forma de se posicionar contra ela não é usando as redes sociais, mas sim, votando com a carteira e não comprando aquele conteúdo caso você o considere de pouco valor.

Foi uma controvérsia na qual, inclusive, a própria Ubisoft se viu envolvida no começo de 2015, quando em vídeo, pediu que os jogadores parassem de fazer mimimi e entendessem que o mundo dos games é um negócio. O problema, ali, não foi a mensagem, mas sim, a maneira com a qual ela foi passada e também o momento, já que veio logo depois do lançamento de Assassin’s Creed Unity, um game que chegou às lojas incompleto e cheio de bugs.

É nessa última questão, inclusive, que está o principal ponto de discussão. Até que ponto estamos comprando conteúdos realmente completos quando adquirimos um game em disco? Como garantir que a desenvolvedora não está capando parte daquela experiência sabendo que pode vendê-la separadamente e ganhar mais alguns trocados além do preço do título em si?

Não existe um ponto definidor nessa questão, e o melhor é avaliá-la caso a caso. Em via de regra, a expectativa é que expansões sejam exatamente o que a palavra quer dizer – um incremento, algo que leva adiante a experiência original, e não uma parte integrante dela, que foi deixada de fora em prol do ganho fácil. Para saber exatamente, porém, contamos apenas com as palavras das produtoras, nem sempre plenamente confiáveis.

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Vamos voltar a dois games já citados nesse artigo e que são bons exemplos de expansões – Tanto Red Dead Redemption: Undead Nightmare quanto The Last of Us: Left Behind são conteúdos adicionais que, apesar de acresentarem bastante as games originais, não interferem em suas experiências centrais. Você ainda acompanha as jornadas de Joel, Ellie e John Marston na íntegra mesmo que não tenha acesso aos DLCs. Caso queira saber mais ou ver as coisas de modo um pouco diferente, porém, pode tomar a decisão de gastar um pouco mais.

Para cada bom exemplo, porém, temos também um mau. É o caso, por exemplo, de Asura’s Wrath, da Capcom, cujos capítulos finais não estão presentes no disco e precisam ser comprados separadamente, ou Mass Effect 3, que não teve um final que agradou aos jogadores e levou a BioWare a criar uma segunda conclusão, vendida nas redes online.

A série “O que é” vai, periodicamente, elucidar termos técnicos e nomenclaturas usadas na indústria de games, mas nem sempre claras para os fãs. Quais são suas dúvidas e o que você acha que deve aparecer por aqui? Responda nos comentários e ajude a gente a definir as próximas pautas. 😉

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