Sniper Ghost Warrior 3

por Caio Vicentini

Um tiro desperdiçado

Sniper Ghost Warrior 3 é o terceiro título da CI Games com foco na arte dos tiros de longa distância. Enquanto esse aspecto é muito divertido e oferece uma experiência mais próxima do real do que outros jogos, ele é permeado por loadings extremamente longos, uma história clichê apressada e um senso geral de que não se tem muito o que fazer no mundo aberto senão procurar a próxima missão.

Sniper Ghost Loading

Os tempos de carregamento são um problema desanimador logo quando o jogo se inicia. Na primeira vez, são necessários incríveis cinco minutos para carregar o prólogo, só para demorar mais alguns minutos para o primeiro ato do jogo. É uma espera absurda que quebra o ânimo de continuar jogando por medo de a próxima missão exigir o tempo de cozinhar um miojo até o próximo cenário.

O jogo é dividido em três territórios que podem ser acessados por fast travel após serem destravados, mas a cada mudança de cenário, o jogo exige uma espera de no mínimo um minuto para carregar o próximo território. Isso beira o insuportável no último capítulo, que coloca o jogador para transitar entre esses cenários repetidamente a cada nova missão.

Uma história contada mil vezes

O mote do jogo é simples: você assume o papel de Jon North, um fuzileiro experiente em uma missão de apaziguar uma guerra civil ocorrendo na Geórgia, país com fronteira com a Rússia. O game também dá um grande foco para a jornada pessoal do protagonista, que quer encontrar seu irmão, Robert, capturado por terroristas em uma missão dois anos antes. O desenrolar dessa história é bem raso e vale como uma justificativa pobre para sair por aí atirando nos inimigos.

O jogo tenta por diversas vezes fazer com que nos importemos com os personagens e o que acontece com eles. Em especial Robert, que aparece em diversos flashbacks da infância dos dois, mas tudo é tão recheado de clichês que é difícil de ignorar e criar um vínculo afetivo com ele. Sniper Ghost Warrior 3 cria um mistério no primeiro ato que é apressadamente respondido no seguinte, deixando os episódios restantes sem muitas surpresas ou algo interessante. Assim, termina como começa: com uma sensação apática e desinteressada por tudo que acontece na tela.

Sniper, Fantasma, Guerreiro e tudo mais

O jogo resume muitas tendências dos jogos AAA de hoje. Com tanto potencial em suas mecânicas principais, é uma pena ver isso sendo desperdiçado envolto em decisões fáceis e mal acabadas.

A grande estrela do jogo é, obviamente, o rifle sniper, sendo ele o que aparenta ter recebido mais atenção na produção para ser uma parte divertida do gameplay. Cada tiro certeiro é mostrado em detalhes com uma câmera que acompanha a trajetória da bala até acertar o inimigo, o que pode ser um pouco irritante e repetitivo depois de um tempo, mas que felizmente pode ser desligado.

O game consegue encontrar o equilíbrio em inserir fatores reais a serem levados em conta na hora de manusear a arma, como resistência do ar, elevação e trajetória balística, mas colocando-as de uma maneira fácil de se entender, fazendo com que um leigo se sinta como um verdadeiro franco atirador. Não é só atirar nos inimigos, isso envolve toda a preparação prévia, como escolher o tipo adequado de bala para cada ocasião (e existem muitas opções!), o local certo para ficar de tocaia e fazer uma varredura prévia do local com seu drone.

A estrutura das missões não muda muito, sempre se resumindo em ir a um local e se infiltrar da maneira que desejar para eliminar um alvo ou roubar alguma coisa. A que você faz a escolta para um grupo de rebeldes se infiltrando em uma base inimiga, enquanto se encontra a centenas de metros de distância, é um destaque positivo. Aliás, todas as que testam a destreza do jogador para acertar alvos cada vez mais distantes e difíceis são um desafio divertido e gratificante, o que infelizmente não acontece muitas vezes durante o jogo.

As piores, por outro lado, são aquelas que afastam o jogador de seu rifle e o colocam nas proximidades dos inimigos em missões de infiltração, denunciando o quão desajeitada a inteligência artificial do jogo pode ser. Basta se agachar, mesmo que esteja nas costas do inimigo, para ele perder você de vista e seguir seu caminho. Missões que envolvem usar uma espécie de “sentido bruxo” do The Witcher 3 para procurar por pistas e rastros acabam sendo as mais frustrantes por, várias vezes, não ter um indicativo do que estamos procurando no cenário, tornando uma tarefa de tentativa e erro até acharmos por acaso o que precisávamos para seguir com a missão.

O jogo resume muitas tendências que o mercado de jogos AAA tem hoje em dia. Investir em um mundo aberto e vasto e com muitas possibilidades para as missões, mas sem nada substancial para fazer quando você não está indo do ponto A para B, habitado apenas por soldados inimigos e pouquíssimos outros NPCs que se encontram nas chamadas zonas neutras, que não tem interação alguma além de resmungar uma única fala repetidamente.

Com alguns coletáveis como armas clássicas e skins para o seu rifle, não há muita justificativa para andar pelo terreno que não seja ir até a próxima missão. Com tanto potencial em suas mecânicas principais, é uma pena ver isso sendo desperdiçado envolto à decisões fáceis e mal acabadas.

O jogo foi testado no PlayStation 4, em cópia cedida pela Sony Music Entertainment.

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