South Park A Fenda que Abunda Força

South Park: A Fenda que Abunda Força

por Ana Cruz

Um RPG para os fortes

Desde que me conheço por gente, sou fã da série da Comedy Central, então, o hype estava nas alturas para o novo jogo da franquia, South Park: A Fenda que Abunda Força. Vimos seu primeiro trailer na E3 de 2016 e tivemos que esperar até dia 18 de outubro de 2017, devido a adiamentos, mas a espera valeu a pena.

No título, o jogador encarna o Novato, também chamado de Bundão ou Douchebag – conforme a dublagem escolhida – que vira um rei do mundo medieval. As primeras batalhas servem como tutorial, mas ainda assim têm história, pois o jogo começa logo diretamente após de The Stick of Truth. A brincadeira acaba quando Cartman aparece vestido do super-herói Guaxinim, dizendo que tem uma missão secreta e o “noob” não é bem-vindo.

A história começa com Guaxinim (Cartman), que “veio do futuro” convocar sua equipe para resgatar um gato perdido e usar o dinheiro da recompensa para começar as filmagens dos filmes e das séries da Netflix de sua franquia. A brincadeira de magos, elfos e cavaleiros, do primeiro jogo, dá espaço para os super-heróis “Guaxinim e Amigos”.

No grupo, o protagonista lidera outros personagens como Kyle (Pipa Humana), Craig (Super Craig) e Jimmy (Passo Rápido). Do lado rival está o “Amigos da Liberdade”, composto por Kenny (Mysterion), Stan (Ferramenta), Tweek (Tweek Maravilha) e Timmy (Doutor Timothy).

Depois que Cartman deixa você fazer da brincadeira, o próximo passo é escolher uma classe, aprender seus poderes e, o mais bizarro, sua história de origem. Com isso definido, descobrimos que todos os gatos da cidade estão desaparecendo e a criminalidade está aumentando cada vez mais. Hora se sair pela cidade, descobrir o que está acontecendo e resolver esse mistério. 

O enredo é tão divertido e errado como sempre, até porque estamos falando de South Park. Temos referências claras à briga entre Marvel e DC, jogos como Just Dance, Assassin’s Creed e Pokémon GO e até citações para os fãs mais assíduos, como no caso do Peixe Gay – uma piada com Kanye West.

A dublagem em inglês é perfeita – são as mesmas vozes da série. Entretanto, em nosso idioma, percebemos a falta de sincronia entre o movimento da boca dos personagens e a voz.

Seu celular agora é o centro das ferramentas necessárias para a sua jogatina, é lá que você encontra os ícones de inventário, fabricação, configuração, galeria, aliados, poderes, ficha de personagem e o principal, Coonstagram – uma rede social estilo Instagram onde você posta as suas selfies e de seus seguidores.

Ao contrário do primeiro jogo, agora o jogador pode mover seu personagem e atacar em um grid, além de montar a melhor equipe com os aliados que for encontrando no meio da jornada. Na criação do seu personagem, dá para escolher entre menino e menina, mas o gênero não interfere no gameplay – só é necessário para criar sua ficha de herói.

No lançamento, houve polêmica sobre a seleção de dificuldade baseada no tom da pele do personagem, mas isso influencia mais na quantidade de dinheiro e itens que se recebe, sem impacto nenhum nos combates. Em nossos testes, escolhemos uma cor parda e, ainda assim, terminamos com dinheiro e itens de sobra. O nível de desafio é relativo, pois tudo depende da sua estratégia de jogo.

South Park: A Fenda que Abunda Força é um jogo que vale a pena, e, principalmente, é digno de ser uma sequência do ótimo The Stick of Truth.

Existem momentos em que escolher personagens que atacam uma grande quantidade de inimigos é mais eficaz do que pegar aliados com mais força física, mas nos chefes, heróis focados na porrada podem ser essenciais. Principalmente, os ataques especiais fazem diferença nas batalhas, sendo que a única personagem ideal em qualquer batalha é Wendy, a Disque-Mulher.

As roupas e armaduras não interferem no aumento das habilidades, agora isso acontece por meio de de artefatos, que podem ser construídos com itens que o jogador acha pelo cenário. Assim que peguei a fantasia de Assassin’s Creed, nem troquei mais, pois é um conceito irrelevante irrelevante e um ponto em que o jogo deixa a desejar. Também não existem armas aqui, como no primeiro game, pois os personagens têm poderes pré-estabelecidos.

Assim que o jogador desbloqueia as classes, poderá escolher qualquer uma delas e poderes especiais. Mais uma vez, é preciso pensar muito bem, pois todos os ataques atingem um número certo de quadros, mas seu alcance é limitado ao tipo de poder. Um golpe de Brutalista, por exemplo, só atinge o inimigo que estiver na frente ou atrás, enquanto o Ciborgue pode causar dano em uma fileira inteira.

Cada personagem do desenho também tem ataques e especiais próprios. O jogador pode contar com a ajuda de terceiros para ajudar, usando as invocações, seja de uma stripper, do pai do Kyle ou até Moisés, podendo usá-los uma vez em cada batalha. Não seria um jogo de South Park se não tivéssemos o poder supremo dos peidos, que são mais úteis do que no primeiro game, seja para pausar o tempo e dar porrada no inimigo ou fazê-lo perder a vez durante os combates.

A instalação inicial do jogo demora muito para ser concluída, mas os desenvolvedores deram um jeito para que o jogador não “sofresse tanto”: quando atingimos um ponto que ainda não está preparado, um personagem chega para dizer que o jogador “não pode passar, aqui ainda não está completo. Some!”.

A dublagem em inglês é perfeita – afinal, tanto nesta opção quanto em português, são as mesmas vozes da série. Entretanto, em nosso idioma, South Park: A Fenda que Abunda Força sofre com alguns bugs, devido à falta de sincronia entre o movimento da boca dos personagens e a voz.

As missões secundárias também têm um enredo, quase sempre ligado à historia, como achar os gatos perdidos de Big Gay Al, encontrar 40 desenhos Yaoi espalhados pela cidade ou impedir Randy Marsh (pai de Stan) de beber e dirigir. Entretanto, existem trechos que, se você não gosta de South Park, poderá ficar incomodado, como quando Butters (Caos) dá uma habilidade específica ao Novato.

Por outro lado, temos aqui um jogo que vale a pena, e principalmente, é digno de ser uma sequência do ótimo The Stick of Truth.

O game foi analisado no PlayStation 4, em cópia cedida pela Ubisoft.

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