Madcap Castle

Madcap Castle

por Ulisses Lopes da Silva

Uma aventura retrô

A imagem que vem logo à cabeça quando se fala em “jogo indie” é a de gráficos no estilo Master System ou Nintendinho. Mas, em Madcap Castle, voltamos muito mais ao passado, para a era de ouro do Game Boy, com seus tons sépia e efeitos sonoros dos primórdios do som digitalizado, em uma experiência oferecida pela desenvolvedora Indústria de Jogos.

O portátil mais famoso da década de 1980 recebia jogos exclusivos pois não conseguia portar um título do NES, por exemplo, Sendo assim, existe toda uma cultura retrô relacionada aos games que saíram para o primeiro portátil da Nintendo, com sua característica mais marcantes sendo a Pixel Art simplista e os tons de bege e cinza. Madcap Castle é um puzzle game que remonta a essa chamada era de ouro, mas com jogabilidade e recursos dos tempos atuais.

A história é bem casual, como todo o jogo se mostra. O jogador é um jovem mago que tem um “Mage Boy”, cujas baterias acabam muito rápido. Por isso, ele saiu em jornada ao saber que existe uma relíquia que garante energia infinita para seu portátil, mas para conseguir obter este artefato, precisará vencer os desafios do castelo. Ao longo do caminho, vamos aprendendo uma magia por vez, que vão desde acender velas até lançar frangos no caminho. Ao fim de cada segmento do castelo, um chefe deve ser enfrentado.

Logo de cara, se percebe que o mago não tem poder ofensivo. O objetivo é usar a cabeça, com magia ou não, para esquivar das ameaças que vão desde espinhos até canhões e morcegos. Os enigmas consistem em sair da sala encontrando botões que abrem a porta magicamente selada, mas tomando cuidado, pois o protagonista não resiste a um simples toque do inimigo. Pelo menos as vidas são infinitas, fazendo com que o jogador não tenha de se preocupar com nada além de criar uma solução para sair do sufoco.

Fique calmo, pois o jogo não usa a mesma mentalidade cruel dos anos 1980 ou 1990, que te jogava aos leões e obrigava a se virar para saber jogar. Existe uma curva de aprendizado bem implementada, pois a cada enigma, Madcap Castle te ensina como usar a nova magia adquirida na prática. O nome do estágio indica o que deve ser feito, sem falar que os comandos são simples. Na verdade, a crueldade aparece na dificuldade de certos desafios que não são dosados quando se está em níveis mais avançados – é comum encontrar um puzzle mais fácil na altura do Nível 40 do que no 20.

A maior habilidade que o jogador deverá desenvolver em Madcap Castle é o controle do direcional, que além de permitir andar para os lados, faz o personagem pular, com níveis de altura. A movimentação é livre, obrigando o usuário a ter muita calma, principalmente em plataformas com gelo, que têm efeito deslizante.

Analisando mais de perto, Madcap Castle tem certa dificuldade, mas nada que dois minutos de tentativa e erro não façam o jogador resolver os desafios aparentemente impossíveis. O revezamento de poderes, em vez de somar ao leque de opções, torna o desafio muito simplório e até repetitivo, o que afeta não só a vontade de avançar como já revela a maneira de enfrentar os desafios futuros, pois já se conhece sua lógica. Assim,

Uma saga genérica

Os gráficos são bem simples e vazios, apesar de bem aplicados, enquanto a trilha sonora se repete em todas as fases. Para piorar, o personagem principal não tem carisma algum, nem mesmo um nome! A criação de um protagonista divertido é  fator imprescindível para que haja apego do jogador na empreitada, já que não se trata de uma jornada curta. Segui-la ao lado de um desconhecido é algo muito frio, apesar do design de alguns inimigos remontarem aos clássicos adversários de jogos como Mario Bros. e Alex Kidd.

Com tudo isso, Madcap Castle acaba sendo um game genérico e casual, pronto para ser esquecido assim que terminado, ou interrompido pois se tornou enjoativo. Apesar disso, ainda é uma boa pedida de passatempo em um dia normal, em que você queira desafiar seu raciocínio e reflexos sem muita pretensão de algo épico ou empolgante. Me pergunto porquê o título não foi lançado também para smartphones…

O jogo foi analisado no PC, em cópia cedida pela Diel Mormac Games.

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