Quando o Iron Maiden lançou o clipe da música “Speed Of Light“, do novo albúm “Book of Souls”, com várias referências ao universo de jogos, do primeiro Donkey Kong, passando por Robocop VS Terminator, Mortal Kombat até Call of Duty e The Elder Scrolls, todos estrelados pelo seu mascote, o demônio Eddie, tive vontade de poder jogar todas aquelas versões e lá fui eu rever com nostalgia cada um dos games apresentados.

Após matar a saudade de um autêntico game do Robocop – com inimigos se liquefazendo em sangue – a ideia de jogar algo com o Eddie The Head como protagonista era de fato atraente.

E como se não bastasse em ser uma das melhores músicas do disco e gerar um bom clipe, Speed Of Light pode ter dado a mesma sensação na desenvolvedora Roadhouse Games, que quis trazer o personagem em definitivo para dentro de um game real. Melhor, para um RPG de turnos. Clássico, feito o Iron Maiden.

Qual é o Legado da Besta?

Em Iron Maiden: Legacy of the Beast, somos o mascote da banda de heavy metal sendo guiados numa história bem maluca, quase sem pé nem cabeça, pela The Clairvoyant, para resgatar fragmentos da nossa alma que foi despedaçada e jogada em cenários baseados nas capas dos álbuns do Iron Maiden, como o Powerslave, A Matter of Life and Death e The Number of the Beast, por exemplo. E enfrentar nesse percurso um inconveniente culto determinado em impedir nosso avanço, liderado pelo The Master.

Algo que fica bem claro é que o ponto alto do jogo passa longe da história. No entanto, Legacy of the Beast consegue prender de maneira consistente com dois elementos cruciais para um tipo de jogo mobile e de uma banda de rock, jogabilidade e trilha sonora.

De início, a apresentação das mecânicas do RPG é bastante sobre os trilhos, de maneira até exagerada. Porém, logo que temos a liberdade de poder tocar em qualquer lugar da tela sem ter um círculo em chamas nos guiando onde pressionar, aprendemos até com maior clareza o que cada coisa faz e podemos seguir para os combates.

UP THE LEVELS

E são neles, contudo, que o jogo verdadeiramente se destaca. Ele chega unindo o som instrumental característico do Iron Maiden – jogar com fones de ouvido deixarão as partidas bem mais interessantes – com os fundamentos do RPG por turnos bem próprios do gênero e um adicional, no qual a potência dos ataques, especiais ou não, dependem de um Quick Time Event simples e bem colocado.

Além do protagonista em sua aparência “normal” e alguns minions que são recrutados pelo caminho e vão preenchendo o leque de opções da party, vários aspectos do mascote da banda inglesa com habilidades únicas vão sendo desbloqueados, acrescentando maior estratégia ao combate.

É possível avançar com o jogo sem lembrar que existem compras internas. Elas, inclusive, estão escondidas dentro dos menus de tal maneira, que, dificilmente, uma aquisição com dinheiro real será feita por acidente. Essa mecânica acaba vendendo grandes quantias de itens que são conquistados no andamento do jogo, dando a impressão que a prática está inserida no game para manter o protocolo de um jogo freemium.

O público alvo do game é bem definido. Para quem sente falta de um bom RPG nas lojas de aplicativos, acha um absurdo ter que desembolsar preços squarenianos para jogar no smartphone algo decente do gênero, e gosta do heavy metal da banda, Iron Maiden: Legacy of the Beast torna-se quase obrigatório.

No que o jogo se propõe, em tentar agradar aos fãs de ambos os nichos, ele consegue atingir a todos de uma maneira muito boa. Conseguiria facilmente figurar entre os bons jogos pagos das lojas de aplicativos. Um jogo divertido e ainda gratuito, tanto para iOS quanto para o Android, é uma das coisas boas que os freemium arriscam-se em nos proporcionar. Bastando ser bem feito.

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